Como dominar o acorde si7 no violão: transições, dedilhado e voicings

O si7 é aquele acorde que empurra a harmonia para a frente: quando ele surge, o ouvido pede resolução. Se você chegou aqui após procurar por B7, fique sabendo que no violão estamos falando do acorde de si com sétima (dominante). A seguir, vou mostrar como deixá-lo limpo, rápido e útil no repertório real.

Por que o si7 é tão importante

Em tonalidades centradas em mi (maior ou menor harmônico), o si7 é o dominante que resolve para mi. Em prática: ele cria tensão para pousar com alívio em mi. Blues, sertanejo, pop, samba e bossa se apoiam nesse movimento. Entender essa função ajuda a segurar o ritmo certo e a não exagerar na força da mão direita.

Posição aberta: ajuste fino que evita ruídos

A forma aberta clássica ocupa principalmente as duas primeiras casas. Em vez de apenas copiar um diagrama, ajuste os dedos para economizar movimento. Este é um ponto de partida eficiente:

Corda Casa Dedo Dica de ajuste
5ª (A) 2 2 (médio) Apoie levemente o topo do dedo para abafar a 6ª corda sem querer
4ª (D) 1 1 (índice) Encoste o mínimo possível nas cordas vizinhas para não matar o som
3ª (G) 2 3 (anelar) Empurre de cima para baixo, não de lado, para evitar trastejar
2ª (B) 0 livre Garanta que o índice não encoste nesta corda
1ª (E) 2 4 (mínimo) Mantenha a ponta firme e a mão relaxada para não “puxar” a afinação

Visual para conferir a mão:

Diagrama do acorde si com sétima (posição aberta)

Transições que você realmente usa

  • Mi → si7: mantenha o dedo 2 como pivô (ele pode sair da 5ª corda para a 5ª casa 2 com pouca rotação da mão). Pense em girar o punho, não em levantar tudo.
  • Lá → si7: forme o Lá com dedos 2-3-4 e libere o índice; ele “cai” para a 4ª corda casa 1 quase sozinho.
  • Progresso clássico de doze compassos (em mi): mi | Lá | mi | mi | Lá | Lá | mi | mi | si7 | Lá | mi | si7. Toque lento com metrônomo em 60 bpm e aumente de 5 em 5.

Ritmo e dedilhado sem abafar cordas

Para batida: pense em “baixo + estalo”. Ataque a 5ª corda no tempo forte e complete com batidas leves nas cordas agudas. Se o grave embolar, use o polegar da mão esquerda para encostar de leve na 6ª corda e silenciá-la.

No dedilhado, experimente P-i-m-a (polegar no baixo, indicador na 3ª, médio na 2ª, anelar na 1ª) com acento no polegar. Conte 1 e 2 e 3 e 4 e, alternando baixo 5ª/4ª, para dar balanço.

Voicings avançados e forma com pestana

Quando precisar de mais pressão sonora ou transpor, use uma forma móvel baseada no acorde de lá com sétima deslocado duas casas: x24242. Faça uma meia pestana com o índice na 2ª casa e pense nos dedos 2-3-4 como um mini-tríade que sobe e desce junto. Essa digitação encaixa muito bem quando o próximo acorde é mi com pestana no 7º traste, mantendo vozes internas próximas e a troca mais suave.

Plano de 7 dias para destravar o acorde

  • Dia 1: 5 minutos de colocação lenta, excelente som em cada corda. Grave-se.
  • Dia 2: Trocas mi → si7 por 10 minutos, sem metrônomo, buscando relaxamento.
  • Dia 3: Metrônomo a 50 bpm, 2 minutos por vez, subindo até 70 bpm.
  • Dia 4: Dedilhado P-i-m-a por 8 minutos. Foque em não abafar a 2ª corda.
  • Dia 5: Introduza a forma x24242 por 10 minutos, som limpo em pestana.
  • Dia 6: Progresso de doze compassos completo em 60 bpm.
  • Dia 7: Toque junto com uma faixa de backing em mi; priorize constância do ritmo.

Erros comuns (e como corrigir rápido)

  • Ruído da 6ª corda: abafe com o topo do dedo 2 da mão esquerda ou com o polegar.
  • 1ª corda desafinando ao apertar demais: reposicione o mínimo mais próximo do traste e alivie a pressão.
  • 2ª corda muda: incline levemente o índice (4ª corda) para longe da 2ª.
  • Trocas lentas: treine “fantasma” sem pressionar, apenas encostando a forma e levantando, 30 repetições.

Leve para a música

Coloque o si7 onde ele naturalmente quer resolver: para mi. Em blues, mantenha a mão direita como metrônomo; no samba, priorize o balanço da mão direita em subdivisões regulares; no sertanejo, explore o baixo alternado entre 5ª e 4ª cordas. O objetivo não é só “acertar o desenho”, mas soar musical e previsível para quem ouve.

Resumo prático: ajuste fino da posição aberta, trocas com pilares (mi e lá), uma forma móvel segura e um plano curto de estudos. Dedique 10–15 minutos por dia a esse roteiro e, em uma semana, o acorde deixa de ser vilão para virar seu aliado de tensão e resolução.

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